Espiritualidade: Tempo do Advento (Ano A) – Introdução – I


Com as 1ª Vésperas deste próximo Domingo, 27/11/16, terminamos um Ano Litúrgico e começamos um novo com o Tempo do Advento.

A Palavra “Advento” está relacionada com o “que há de vir” e em nosso caso com “Quem há de vir”: Jesus! Porque Jesus é O “ontem, hoje e sempre”, “Aquele que veio que vem e que sempre virá”. E, assim, no Advento, celebramos as Suas três vindas:


O “ontem”, quando Ele veio: Moisés e os Profetas O anunciaram; a Sua Anunciação e a Sua Encarnação; a Sua Natividade; a Sua vida oculta e a Sua vida pública a evangelizar; a Sua Paixão, Morte, Ressurreição e Ascensão aos Céus.

O “hoje”, quando Ele vem em cada encontro pessoal, nos acontecimentos quer bons, querem dolorosos, nos Sacramentos, na Oração, na presença, no testemunho, no serviço e, sobretudo no Irmão e Irmã.

O “amanhã” porque Ele sempre vem vindo e um dia partiremos ao Seu encontro ou Ele virá na Sua Parusia, a Sua segunda e definitiva vinda à Terra... E reinará!

Para nós cristãos católicos, o novo Ano Litúrgico que começará neste próximo domingo é chamado Ano A porque é dedicado a São Mateus, e, por conseguinte, grande parte dos Evangelhos das Missas deste ano o terá por base.

O Advento é um tempo litúrgico forte que dura quatro semanas e que, na sua estrutura, recorda as três vindas de Jesus da seguinte maneira:
1)     A Encarnação, o Natal: a primeira vinda de Jesus em que Deus se faz Homem e é celebrada na quarta e última semana do tempo do Advento, a chamada Semana Santa do Natal (18 a 24 de dezembro).
2)     A Parusia: a segunda e definitiva vinda de Jesus, celebrada nas três primeiras semanas do Advento e que aborda o tema da volta iminente de Jesus, o popular "Fim do Mundo" que tanto terror infundado causa mas que na realidade instaurará o reinado do Amor.
3)     E entre essas duas, há inúmeras vindas de Jesus nos encontros, nos irmãos e irmãs, nos acontecimentos, nos sacramentos, nas celebrações e nas orações.
Embora a cor litúrgica seja o Roxo, o sentido do Advento não é o penitencial como na Quaresma, mas sim o de conversão. Apenas no 3º Domingo, o chamado "Gaudete", "o domingo da alegria", porque a chegada do Senhor já está próxima é que se usa a cor Rosa.

Nesse período não se canta o Glória (Hino de Louvor), pois ele está reservado para a Noite do Natal, ocasião em que, liturgicamente, ele foi proclamado pela primeira vez pelos Anjos aos Pastores. Já na Semana Santa do Natal entoam-se as "Antífonas do Ó" recordando as várias invocações de Jesus. E, ainda, seguindo a tradição brasileira, nos nove dias antes do Natal do Senhor, dá-se a "Novena de Natal" em Família e/ou Comunidade.
Os temas espirituais que predominam no Advento são:
        Expectativa alegre e vigilante da volta do Cristo.
        Esperança: a espera que pela Fé se transforma em Esperança.
        Conversão: o desejo e a esperança de ser melhor com a graça de Deus que vem ao nosso encontro no Cristo pelo Espírito Santo.
        Ser pobre de coração, o [עניי יהוה] – "Anawin", aquele que pela sua pureza reconhece e acolhe Jesus.
        Presença de Maria: é um tempo profundamente mariano por excelência, pois recorda aquela que é a Mãe de Jesus, a Mãe da Igreja e a nossa Mãe!
E as figuras de destaque nesse período serão:
a)    O Profeta Isaías: simbolizando todo o profetismo que simultaneamente anunciava Jesus e denunciava o desamor (pecado).
b)    São João Batista: o último dos Profetas, o Precursor de Jesus e quem fizeram e fazem a transição entre o Novo e o Antigo Testamento.
c)    Virgem Maria: a nova Eva, cujo "Sim" nos trouxe o Salvador.
d)    São José: o discreto, humilde e silencioso "homem justo da Casa de Davi" da qual viria o Salvador.

Como ex-religioso Agostiniano, posso testemunhar-lhes que é o meu Tempo Litúrgico predileto, pois sou herdeiro dos primeiros cristãos que se levantavam antes do nascer do Sol para esperar a chegada, a qualquer momento, do Messias, o nosso Salvador, "o sol nascente que nos veio visitar", "a estrela fulgurante da manhã". E a espiritualidade agostiniana, cristocêntrica e gloriosa, sempre nos convidam a aguardar a segunda e definitiva vinda do Cristo que reinará vivo e ressuscitado em nosso meio.

Antecipando-me a este próximo domingo, desejo-lhes um feliz novo Ano Litúrgico em mais um fecundo Advento!

Alan Lucas de Lima (Pequeno Monge Agostiniano)