Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora

Liturgia da Palavra
Apocalipse 11,19a.12,1-6a.10ab
Salmos 45(44),10bc.11.12ab.16
1ª Carta aos Coríntios 15,20-26
Lucas 1,39-56



Em 1950, o papa Pio XII proclamou o dogma da Assunção de Nossa Senhora ao céu. Um dogma é um marco referencial de nossa fé, do qual ela não pode retroceder e sem o qual ela não é completa. Proclamamos que Maria, no fim de sua vida, foi acolhida por Deus no céu “com corpo e alma”, ou seja, coroada, plena e definitivamente, com a glória que Deus preparou para os seus santos. Assim como ela foi a primeira a servir Cristo na fé, é a primeira a participar na plenitude de sua glória, a “perfeitissimamente redimida”. Maria foi acolhida, completamente, de corpo e alma, no céu, porque ela acolheu o céu nela – inseparavelmente.

A presente festa é uma grande felicitação de Maria por parte dos fiéis, que nela veem a um só tempo, a glória da Igreja e a prefiguração da própria glorificação. A festa tem uma dimensão de solidariedade dos fiéis com aquela que é a primeira a crer em Cristo e por isso, também, é a mãe de todos os fiéis. Daí a facilidade com que se aplica a Maria o texto do Apocalipse, na primeira leitura, originariamente uma descrição do povo de Deus, que deu à luz o Salvador e depois se refugiou no deserto. Na segunda leitura, a assunção de Maria ao céu é considerada antecipação da ressurreição dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Observe-se, portanto, que a glória de Maria não a separa de nós, mas a torna unida a nós mais intimamente.

Merece consideração, sobretudo, o texto do evangelho, o Magnificat, que hoje ganha nova atualidade, por traduzir a pedagogia divina: Deus recorre aos humildes para realizar suas grandes obras. Esse pensamento pode ser o fio condutor da celebração. Na homilia, convém que se repita e se faça entrar no ouvido e no coração esse pensamento ou uma frase do Magnificat que o exprima.

Nesse domingo celebramos a festa da Assunção de Nossa Senhora, na qual a Igreja comemora a festa de uma mulher de Nazaré que “foi a primeira a acreditar no Filho de Deus, e é a primeira a subir aos céus em corpo e alma”, nas palavras do Papa Francisco.

Neste dia somos convidados/as a contemplar a Maria ressuscitada no seio de amor da Trindade. Esse é nosso futuro, o futuro de toda a humanidade, de toda a criação redimida pelo Filho de Deus.

E para chegar lá o evangelho de hoje é muito iluminador, as palavras de Lucas não nos levam a olhar para o céu senão para os caminhos montanhosos, no qual podemos ver uma jovem camponesa indo às pressas a cuidar de sua prima e assim celebrar com ela o mistério e a alegria do encontro.

Peçamos ao Espírito que nos conceda conhecer os sentimentos e pensamentos de Maria nesse caminhar.

Ela caminha em silêncio, grávida da Boa Notícia recebida uns dias atrás, a qual acolheu com humilde fé, mudando totalmente sua vida. E agora, enquanto sobe as montanhas, vai dialogando com Deus para buscar compreender o sucedido.

É incrível que depois de semelhante encontro com Deus, Maria não ficou parada ou fechada na sua casa (interna ou externa), mas se colocou a caminho para servir sua prima Isabel, já entrada em anos, que também estava grávida.

Com isto Maria nos revela duas coisas: a primeira é que a experiência de Deus Cristão é verdadeira quando a mesma nos leva ao encontro com os outros/as, e a segunda é que uma das maneiras de aprofundar no mistério de Deus é o serviço, especialmente daqueles mais necessitados.

Vai ser dos lábios de outra frágil mulher que Maria vai receber a confirmação do vivido na intimidade com Deus: «Você é bendita entre as mulheres, e é bendito o fruto do seu ventre… Bem-aventurada aquela que acreditou, porque vai acontecer o que o Senhor lhe prometeu».

Aqui temos um detalhe que nos presenteia o evangelho de Lucas no qual gostaria de me deter. Isabel faz esta bonita exclamação de fé porque seu corpo de mulher percebe a presença de Deus que a visita em Maria e a enche de alegria: “Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, à criança saltou de alegria no meu ventre”.
Desta maneira ela nos ensina que nosso corpo, nossos sentidos são aptos para acolher, reconhecer e proclamar a presença de Deus em nosso meio. Isabel é a primeira a reconhecer e anunciar a presença do Messias em meio à humanidade.

É aqui outra das luzes que nos dá o evangelho para chegar como Maria aos braços de Deus. Ter a capacidade de ver, escutar, sentir a ação de Deus em nosso mundo, mesmo nas situações que parecem não ter saída, que pareceria que Ele não está presente.

Maria e Isabel conhecem esta ação fecunda de Deus em seus próprios corpos e em tantos outros. É por isso que Maria canta desde o profundo de seu coração a oração do Magnificat.

Somos convidados/as neste dia a nos unir a este cântico mariano reconhecendo a presença salvífica de Deus em nossa história pessoal, comunitária, familiar. E ao rezá-lo hoje apresentemos a Deus da mão de Maria aqueles corpos flagelados de nossos irmãos e irmãs para que possam experimentar a misericórdia de Deus que os ressuscita, cumprindo assim uma vez mais a promessa feita a nosso pai Abraão.