Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do X Domingo do Tempo Comum – Ano C

Liturgia da Palavra
1º Reis 17,17-24
Salmos 30(29), 2.4.5-6.11.12a.13b
Gálatas 1,11-19
Lucas 7,11-17



Impressiona na perícope de hoje a pessoa de Jesus.

É característico de Lucas apresentar Jesus caminhando, ele é o companheiro em nossa peregrinação terrestre, é um Jesus amigo, vai sempre conosco.

Outro aspecto do Jesus que nos apresenta Lucas é a sua proximidade com o povo, especialmente com os pobres, doentes e marginalizados.

Em Jesus, Deus se faz próximo e nessa cercania revela-se como um Deus compassivo, um Deus que nos quer vivos!

Jesus fica comovido diante da dor das pessoas. Ele não pode ficar indiferente... Não fica indiferente diante da dor das pessoas. O Deus que Jesus nos mostra é um Deus que sente e mais ainda sofre com seus filhos/as.

Jesus caminha com seus amigos e, entrando na cidade, vê a peregrinação que leva o jovem defunto, mas ele se detém na mãe viúva que chora a perda do filho único.

Esta mulher representa os pobres, além de ser mulher, ela é viúva e seu filho único acaba de morrer.  Ao ser viúva e perdendo seu único filho, ela fica totalmente desprotegida, na solidão total.

Quantas mulheres encontramos hoje chorando em situações similares, mulheres que perderam seus filhos na guerra ou foram atingidos mortalmente por uma bala perdida. Mulheres abandonadas por seus companheiros que têm de lutar para sobreviver com seus filhos. Mulheres que, por seu sexo ou etnia, é discriminada...

O evangelho nos diz que “Ao vê-la, o Senhor teve compaixão dela, e lhe disse: «Não chore!»”.

E nós? O que fazemos diante das situações que vemos diariamente? Chegamos a comover-nos ou já estamos acostumados com elas, já que fazem parte do "jornal diário"?

A compaixão de Jesus é um movimento de amor a essa mulher, levando-o a aproximar-se mais dela e a buscar aliviar sua dor.

A compaixão é o motor que põe em movimento o amor, e a misericórdia divina. O Deus cristão é um Deus que se deixa tocar pelas realidades humanas, porque está no meio delas, não é um deus distante, é um Deus conosco, o Emanuel!

Vejamos agora como o evangelista nos narra como Jesus se "debruça" nesta realidade.

O que chama-me a atenção em primeiro lugar é que Jesus não continua seu caminho, detém-se para atender a dor desta mulher, toda sua atenção está nela, a quem dirige sua palavra que parece uma ordem: "Não chore!".

Ele quer que a mulher saia de sua dor e olhe para ele, há esperança, a morte não é a última palavra! Ao pedir-lhe que olhe para ele Jesus quer lhe comunicar seu terno amor mais forte mesmo que a própria morte.

Como sempre, as palavras de Jesus vão acompanhadas de gestos concretos. Nesta perícope, depois de falar à mulher, Jesus "se aproximou, tocou no caixão" e a procissão fúnebre parou.

Detenhamo-nos neste momento. Não é um detalhe. Quem gosta de se aproximar da morte, de senti-la, tocá-la?

Na cultura de hoje onde todo o sofrimento é escondido e silenciado. Para isso temos que ser sensíveis e deixar que as perguntas que brotam dessa dor mudem nossa vida. Lembremos as palavras do Papa Francisco diante dos prantos da menina de 12 anos na Filipinas: Papa Francisco: “Se não aprendermos a chorar, não somos bons cristãos”.

Mas a realidade grita, e nosso Mestre nos revela que ele não tem medo de entrar nela, de se fazer solidário com o sofrimento de todos os seres humanos. A cruz é a manifestação máxima dessa solidariedade. Como nos sugere Gravel somos convidados a procurar uma maior justiça através da bondade.

Só assim vai poder comunicar à palavra que dá vida: "Jovem, eu lhe ordeno, levanta-te!". E para assombro de todos os presentes, "o morto sentou-se, e começou a falar".

Este é o movimento que todo discípulo missionário de Jesus Cristo deve viver, seguidor dos passos do Mestre, colocar-se no caminho do serviço ao Reino, deixando-se comover pelas realidades e nela oferecer. Como lembra o Papa Francisco "O caminho do Senhor é o Seu serviço: assim como Ele fez o Seu serviço, nós devemos ir atrás dele, o caminho do serviço".