Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do XII Domingo do Tempo Comum – Ano C

Liturgia da Palavra
Zacarias 12, 10-11. 13,1
Salmos 63(62), 2abcd. 2e-4.5-6.8-9
Gálatas 3, 26-29
Lucas 9,18-24




Como já mencionamos em outras oportunidades, é típico do evangelho de Lucas apresentar Jesus em oração.
Neste Evangelho apresenta-se Jesus, em várias oportunidades, a vida orante de Jesus de Nazaré, sua intimidade com o Pai, que busca espaços concretos de encontro com Ele.

É o caso da perícope de hoje: "Certo dia, Jesus estava rezando num lugar retirado". Podemos pensar que a oração é uma experiência pessoal, mas o evangelho nos mostra sua dimensão comunitária: "os discípulos estavam com ele".

Olhando para Jesus e seus discípulos/as, descobrimos que o jeito que ele teve para despertar neles/as a vontade de rezar, foi ele mesmo fazer a experiência da oração, rezar diante deles e com eles/as!
Destacamos aqui a força do testemunho. Hoje em dia as pessoas, os/as jovens vão querer rezar ao Deus de Jesus, se conhecerem cristãos/ãs que gostem de rezar. As crianças vão querer conhecer e "falar" com "Papai do céu" se encontrarem em sua família, pais, irmãos/ãs que vivem com naturalidade a relação com Deus.
A oração é uma experiência de comunhão, de relação com Deus, a quem Jesus chama de Pai. Por isso, quando os/as discípulos/as pedem que Ele lhes ensine a rezar, sua resposta é apresentar-lhes ao Pai e seu projeto de vida.
Foi o que depois a comunidade cristã traduziu na oração do Pai-Nosso. Mas é importante entender que ela não é uma "fórmula" de oração, mas a expressão que condensa um estilo de vida marcada pela relação com Deus Pai e seus filhos e filhas. É a oração do Reino de Deus.
Quando rezamos, o que fazemos? Relacionamos-nos com o Outro, ou repetimos frases de cor? 

Continuando com o texto de hoje, o evangelista nos surpreende com a pergunta de Jesus: "Quem dizem as multidões que eu sou?". Mas, podemos nos perguntar: qual é a relação que existe entre o momento de oração que foi apresentado no inicio deste texto e esta pergunta para os que estavam com ele?
A oração não é só um momento do dia, estende-se a todo o dia, a oração é o coração da amizade com Jesus que cresce e se desenvolve no seguimento.
E esse seguimento alimenta o conhecimento da pessoa de Jesus. É no seguimento de Jesus que conhecemos sua riqueza, seu Mistério, que ele alimenta nossa vida no dia a dia.

Por isso, a resposta que Pedro dá é, sem dúvida, fruto de todo um tempo de convivência. Um tempo de estar com Jesus onde ele descobriu, por obra do Espírito, quem ele era: "O Messias de Deus".

As palavras que Lucas coloca nos lábios de Jesus são um chamado de atenção à comunidade para não parar na sua caminhada atrás dos passos do Mestre.
Outra ideia forte no evangelho de Lucas é a do caminho e, sobretudo, o caminho a Jerusalém. A vida de Jesus está marcada por essa caminhada ou subida a Jerusalém, que ele faz decididamente (cfr. Lc 9, 51).
O Messias, o Ungido de Deus que Lucas nos apresenta, aquele que vem libertar o povo da escravidão (Lc 4, 18-21) é aquele que passa pela cruz e vive a ressurreição. Ou seja, caminho da libertação é criado, gerado na cruz e ressurreição de Jesus de Nazaré.

Se esse é o caminho do Mestre, não é diferente para sua comunidade que quer também ela servir o Reino de Deus, ser instrumento de libertação e vida eterna para os diferentes povos da terra.

As palavras de Jesus no final deste texto são bem claras a respeito: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga".
Mas é importante entender que o seguimento de Jesus não é um exercício de força de vontade, de ascese, como muitas vezes foi entendido. Ela está presente nessa caminhada, mas só porque antes se conheceu a força do amor, a importância e riqueza da amizade com Jesus.
E porque se quer seguir a esse Amigo e continuar seu projeto de vida, seus seguidores/as são capazes de renunciar até mesmo à sua própria vida, para que outros/as a tenham em abundância.
Diferente de Marcos, Lucas acrescenta que a cruz tem que ser abraçada cada dia, isto é, o evangelista não está falando da última cruz da vida, e sim daquela que se vive diariamente, realizada, desde as pequenas coisas, em uma vida de solidariedade, doação de si, amor ao próximo...
O amor a Jesus leva a quem queira segui-Lo, aprender a viver não para si próprio senão para os demais. É um estilo de vida diferente marcado pelo serviço, pelo amor até o extremo.
É uma proposta que vai em contracorrente com a mentalidade individualista e narcisista de nossa época, mas, sem dúvida, responde perfeitamente ao ideal de felicidade e realização que todo ser humano deseja alcançar. Vale a pena colaborar com essa utopia!