Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do 3º Domingo da Páscoa – Ano C

Liturgia da Palavra
 Atos dos Apóstolos 5,27b-32.40b-41
Salmos 30(29),2.4.5-6.11.12a.13b
Apocalipse 5,11-14
João 21,1-19



O texto de hoje provavelmente surgiu buscando dar resposta a problemas da comunidade primitiva. Podemos perguntar-nos: todos eles acreditaram na Presença viva de Jesus no meio deles? A Boa Nova difundia-se e as pessoas que se incorporavam na comunidade apresentavam sua alegria, mas também suas dúvidas, perguntas, incertezas.· As narrações das aparições do Ressuscitado expressam a vivência na ressurreição que a comunidade primitiva fez.



Adentrando-nos no texto, "vemos" que alguns integrantes da comunidade estão reunidos à margem do Mar de Tiberíades. Não estão todos, só sete, talvez o evangelista queira fazer referência à dispersão que sofreu a comunidade depois da paixão.

Sobre o que dialogam entre eles? Pedro que toma a iniciativa para pescar e os amigos respondem a seu convite. Possivelmente antes de conhecer Jesus ele era líder do grupo.

Neste momento eles encontram-se num lugar muito conhecido, além de ser também muito significativo. Um espaço cheio de lembranças. Quais seriam seus sentimentos mais profundos? O tempo com Jesus ficou no passado? Seu chamado?

Possivelmente cada um deles narre aos outros diferentes episódios, e o coração começa a aquecer-se... Mas a dor volta. Como é possível que seu Mestre morresse desse jeito? Sendo um homem justo, por que sofreu tamanha injustiça?

As palavras de Pedro: "Eu vou pescar" situam-nos na condição cotidiana que tinham os discípulos antes do encontro com Jesus: pescadores! A narrativa evangélica deixa claro que naquela noite não pescaram nada. Mas é nessa cotidianidade marcada pelo cansaço de um trabalho infecundo, pelo fracasso, que vai surgir algo novo.

Mas, como isso é possível? Pela ação criadora de Deus que ressuscita seu Filho, porque é um Deus de vivos e não de mortos, como afirma o Primeiro Testamento.

Ele também ensina o caráter pessoal de quem ressuscita a comunhão plena com Deus não dissolve a pessoa antes ela alcança sua plena identidade, ou seja, quem ressuscita é Jesus de Nazaré e nele toda a humanidade.

A fé na ressurreição do Antigo Testamento é o primeiro recurso que os discípulos e discípulas de Jesus têm para acreditar na sua ressurreição. Foi também sem dúvida a fé que alimentou ao mesmo Jesus, e que marcou sua vida e morte.

Outro recurso que eles têm é a experiência de ter partilhado a vida com Jesus e o impacto que isso causou neles/as, intensificado pelo modo trágico de sua morte e tudo o que aconteceu em torno dela.

É nesse contexto que o Espírito Santo começa a acordar a fé dos primeiros amigos e amigas de Jesus. Sentindo ainda a dor pela perda do Mestre, mas alicerçados na sua tradição religiosa, dão-se conta que uma pessoa que viveu como Jesus, não pode permanecer na morte.

Seus olhos começam a abrir-se e vão descobrindo a vida, onde antes havia morte, esperança onde havia desesperança, frutos onde reinava a esterilidade.

O Senhor morto e desaparecido de visibilidade histórica, fez-se para eles presença viva e pessoal, reafirmando a sua fé e transformando a sua vida. Sim, Jesus está vivo e presente no meio da comunidade, Deus o ressuscitou!


O texto nos narra este processo de fé, que hoje somos convidados a percorrer. O evangelho, testemunho da experiência de fé da primeira comunidade, é nossa fonte para descobrir na simplicidade de nossa vida diária a Presença viva e atuante de Jesus Ressuscitado. É o tempo de um novo amanhecer!