Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do 2º Domingo da Páscoa – Ano C


Liturgia da Palavra
 
Atos dos Apóstolos 5, 12-16 
Salmos 118(117), 2-4.22-24.25-27a 
Apocalipse 1, 9-11a.12-13.17-19 
João 20, 19-31




Neste domingo lemos um trecho do evangelho de João que vai nos apresentar a Ressurreição no espaço da comunidade, já não acontece no sepulcro como é apresentado nos textos anteriores do evangelho. Aqui os discípulos estão reunidos “na tarde do primeiro dia da semana, com as portas fechadas por medo dos judeus”.



Esta descrição permite-nos entrar em seus sentimentos de medo aos judeus, possivelmente de desorientação pelas palavras de Madalena ou talvez de uma esperança duvidosa: O que teria realmente acontecido?

Jesus foi assassinado e neste momento a comunidade reunida está em Jerusalém e os discípulos têm medo de acabar como ele. Além de tudo, eles são Galileus e em Jerusalém não eram bem vistos. 

João Antonio Pagola, no comentário a este texto evangélico, disse:  “Na comunidade há um vazio que ninguém pode preencher. Falta-lhes Jesus. A quem seguirão agora? Que poderão fazer sem Ele? ‘Está anoitecendo’ em Jerusalém e também no coração dos discípulos. Dentro da casa, estão ‘com as portas fechadas’.
É uma comunidade sem missão e sem horizonte, encerrada em si mesma, sem capacidade de acolhimento. Ninguém pensa agora em sair pelos caminhos a anunciar o reino de Deus e curar a vida. Com as portas fechadas não é possível aproximar-nos do sofrimento das pessoas.” (Comentário publicado pelo IHU no dia 25/04/204 “Jesus salvará a Igreja”).

A noite está chegando mas ainda estamos no primeiro dia da semana. A experiência do encontro com o Ressuscitado acontecerá para a comunidade que se está deixando envolver pela noite.

O primeiro dia simboliza o início de uma nova etapa, uma nova criação que os fará homens e mulheres renovadas.

Quando o Ressuscitado se faz presente no meio da comunidade, saúda-os com a plenitude dos bens messiânicos: "A paz esteja com vocês". Antes de sua paixão, Jesus tinha-lhes oferecido a paz, e lhes tinha falado: "Não tenham medo... Eu vou, mas voltarei para vocês" (Jo 14,28).

Logo Jesus lhes mostra as mãos e o lado. O ressuscitado é Jesus, aquele que tinha sido crucificado, desprezado por todos e morto numa cruz. Era o mesmo que foi sepultado “para que seus corpos não ficassem na cruz”.

Estas palavras do discurso de despedida encontram seu cumprimento na ressurreição de Jesus. E para que os discípulos não tivessem nenhuma dúvida de que aquele que aparece em seu meio era o mesmo que tinha sido crucificado, ou seja, seu Mestre lhes mostra as mãos e o lado.

O primeiro fruto do encontro do Ressuscitado com a comunidade, que Ele mesmo tinha formado nesses anos de caminho pela Galileia, é a alegria.

Um dos sinais da presença do Ressuscitado é a alegria, não uma alegria passageira como a que encontramos hoje, mas uma alegria cálida e pacífica. Em que momentos de nossa vida pessoal ou comunitária vivemos essa alegria?

Louvemos a Deus por estar vivo no meio de nós.

O momento mais importante desta primeira parte do evangelho de hoje, começa agora:  ‘A paz esteja com vocês. Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês.’ Tendo falado isso, Jesus soprou sobre eles, dizendo: "Recebam o Espírito Santo. Os pecados daqueles que vocês perdoarem, serão perdoados. Os pecados daqueles que vocês não perdoarem, não serão perdoados”.

Essas palavras e ação do Ressuscitado nos revelam que está acontecendo uma nova criação. O mesmo Espírito que Deus soprou na criação do ser humano para que este fosse um ser vivente, é o Espírito que Jesus sopra sob seus discípulos, capacitando-os, assim, para ser os seguidores de sua missão.

É importante destacar que é a comunidade toda, que nasce no dia da Ressurreição, quem ganha pelo sopro do Espírito, o poder das chaves do Reino. Não só Pedro, mas todos poderão administrar a nova vida. Como Jesus, a comunidade tem o poder de servir a todos e todas para que o amor generoso e gratuito do Pai continue libertando e gerando vida nova neste mundo.
Peçamos ao Espírito do Ressuscitado que faça reinar na nossa Igreja a paz da reconciliação, que saibamos acolher as diferenças para assim viver e testemunhar a comunhão para que o mundo creia.
Quando estava a comunidade reunida, Tomé não estava com eles. Ele se recusava a acreditar no que seus amigos lhe falavam sobre a ressurreição de Jesus: “Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos de Jesus, se eu não colocar o meu dedo na marca dos pregos, e se eu não colocar a minha mão no lado dele, eu não acreditarei” (Jo 20,25).
Esta afirmação "teimosa" de Tomé mostra como ele não aceita o testemunho da comunidade que afirma com alegria: "Vimos o Senhor". Não consegue acreditar que Aquele que os discípulos viram é o mesmo que foi crucificado. Precisa ver e tocar os sinais da paixão.
Quantos somos como Tomé que não temos fé suficiente para acreditar sem ver?
Quantos de nós precisamos de provas para acreditar?
O evangelho nos relata que uma semana depois, estando todos reunidos, inclusive Tomé, o Senhor volta a se fazer presente no meio deles, comunicando-lhes novamente sua paz. Dessa maneira, João quer nos comunicar que a ressurreição é contínua. Ela acontece todos os dias, e cada dia o Ressuscitado nos comunica sua paz!
Olhemos agora para Jesus, o que é que ele faz e fala? Dirige-se compreensivamente para Tomé e o convida a tocar suas mãos e seu lado, exortando-o a ter uma fé madura, baseada no testemunho da comunidade, não em fatos ou sinais extraordinários.

Diante disso Tomé responde com uma das mais bonitas confissões de fé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Reconhece em Jesus Ressuscitado que leva as marcas da crucificação, o servo de Deus que foi por ele glorificado!

A seguir, segundo o evangelista, Jesus fala a única bem-aventurança de seu evangelho: “Felizes os que acreditaram sem ter visto.” Dessa forma, Jesus se dirige e felicita a todos nós, à comunidade dos que recebemos a fé pelo testemunho dos primeiros seguidores e seguidoras de Jesus.
Convida-nos a crer para ver! O Ressuscitado inverte a lógica da fé, primeiro crer nele para depois poder vê-lo em nossos irmãos, na história, em nossa própria vida, até um dia chegar a vê-lo face a face na sua glória definitiva, que será também nossa, e de toda criação!
Neste dia, como Tomésomos convidados a crer em Jesus Ressuscitado, vivo em cada ser humano que está neste mundo, levando as chagas da cruz.