Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do Domingo de Ramos

Liturgia da Palavra:


Isaías 50,4-7
Salmos 22(21),8-9.17-18a.19-20.23-24
Filipenses 2,6-11
Lucas 22,14-71.23,1-56
Depois da intensa caminhada quaresmal, chegamos com Jesus às portas de Jerusalém, a cidade do grande Rei (Mt 5,35), é o lugar onde o destino de Israel e de seus profetas devem cumprir-se (Lc 13, 33).
A festa do Domingo de Ramos que hoje celebramos, faz memória da entrada de Jesus na cidade montado num jumentinho, aclamado pelas crianças, pelos pobres, pelas mulheres: "Bendito seja aquele que vem como Rei, em nome do Senhor!" (Lc 19,38).
Eles e elas tinham caminhado com Jesus estes três anos, escutado suas palavras, experimentado sua misericórdia, seu amor sem fronteiras, e sentido também seu sofrimento. Talvez não compreendessem plenamente quem era seu Mestre, mas suas palavras eram palavras sabias que os representavam.

Hoje podemos perguntar quais são os ramos que nos temos para reconhecer e louvar sua presença na nossa vida e também na vida de tantos e tantas que estão marginalizados porque são pessoas simples, carentes e desprezados pela sociedade?
A cidade de Jerusalém está repleta. Vindo de diferentes lugares, os judeus reuniam-se por famílias, por clãs, na cidade santa, para celebrar a festa da Páscoa. Na qual faziam memória da ação libertadora de Deus que os tirou da escravidão e caminhou com eles pelo deserto rumo à terra prometida.
Todos nós somos convidados a sentar-nos à mesa com Jesus. Somos parte de sua família (Mc 3,35).
Peçamos ao Espírito Santo que ilumine nossas mentes, aqueça nosso coração para estarmos com Jesus neste momento crucial.
Chegou a hora de Jesus, chegou a hora de sua Páscoa, da sua passagem definitiva!
O primeiro êxodo foi quando, sendo Deus, assumiu a condição de servo, tornou-se semelhante a nós (Fl 3,6-7), nascendo de uma jovem mulher, surpreendendo-nos com sua fragilidade e pobreza no presépio de Belém.
Desde esse momento Ele iniciou seu segundo grande êxodo. Durante trinta e três anos, seguiu pelos caminhos empoeirados da Palestina, em companhia do Pai, fazendo-O presente em seus gestos, palavras e silêncios, devolvendo a vista aos cegos, fazendo os paralíticos caminharem, libertando aos oprimidos.
O relato da Paixão que hoje narra o evangelho nos revela o trecho final deste segundo êxodo, no qual Jesus vive ao máximo a solidariedade com a humanidade, com tantos povos que, ao longo da história, têm sofrido diferentes êxodos, diferentes escravidões, migrações e perdas.

Somos capazes de perceber esses êxodos ao nosso redor? E nós, quantos êxodos já vivemos? Êxodos físicos, afetivos, espirituais.
Ao caminhar livre para a cruz Jesus viveu o maior êxodo da história, porque abraçou a peregrinação sofrida de toda a humanidade e ofereceu-se com ela sem reservas ao Pai. É o êxodo do Filho e nele de sua filha, a criação inteira, ao Pai.
A força para realizá-lo brota do Amor do Pai que Jesus sente sempre com ele, quem melhor que o Filho pode rezar junto com o salmista: "Felizes os que encontram em ti sua força ao preparar sua peregrinação" (Sl 84 (85), 6).
Em seu êxodo final, na nova Páscoa, Jesus é o cordeiro pascal, que, com sua morte, nos liberta das ataduras de toda escravidão, inclusiva da morte mesma, para alcançar-nos com sua ressurreição à terra prometida, à casa do Pai, e por isso à casa de todos os filhos e filhas, a nossa casa, à nossa terra eterna!
Por isso, com São Paulo, podemos exclamar: "Já não somos estrangeiros, e imigrantes, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus" (Ef 2,19).

Celebrar esta festa é para nós tomar a decisão de acompanhar Jesus em seu êxodo, e assim viver o nosso! É a hora de fazer de nossa vida uma doação total a Deus e aos outros, para que o reino de Deus continue crescendo.