Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do 5º Domingo da Quaresma – Ano C



Liturgia da Palavra 

Isaías 43,16-21 

Salmo 126(125),1-2ab.2cd-3.4-5.6. 
Filipenses 3,8-14 
João 8,1-11



A liturgia deste Domingo continua dando pistas para viver melhor o ano extraordinário da misericórdia. A misericórdia de Deus nos convida a não recordar o passado (1 leitura), pois as águas impetuosas da sua graça limparam a nossa consciência no dia do batismo, abriram caminho no deserto da nossa vida e fizeram correr rios na terra árida do nosso coração. Essa misericórdia divina, como o Apóstolo Paulo, alcançou-nos e nos conquistou, lançando-nos para frente, sem olhar para trás, rumo à meta da santidade (2 leitura). Finalmente, essa misericórdia divina se encarnou em Cristo que na confissão nos absolve dos nossos pecados e nos coloca o compromisso: “Vai e não peques mais” (Evangelho) e também a não atirar a pedra da nossa condena a ninguém, pois não somos juízes.
Domingo passado presenciamos a volta do filho pródigo e sua acolhida pelo Pai misericordioso. Nesse Domingo, aparece com mais força ainda o quanto Deus está acima do pecado. Eis a base do que se chama “conversão”. Mas, quando se fala em conversão, os céticos objetam: “Que adianta querer ser melhor do que sou?”, e os acomodados: “Melhorar a sociedade, para quê?”.


Deus, porém, não é limitado que fique imobilizado por nosso pecado. Ele passa por cima, escreve-o na areia, como Jesus, no episódio da mulher adúltera (evangelho). A magnanimidade de Deus, que se manifesta em Jesus, está em forte contraste com a mesquinhez dos justiceiros que queriam apedrejar a mulher. Estes, sim, estavam presos no seu pecado; por isso, nenhum deles ousou jogar a primeira pedra. Decerto, importa combater o pecado; mas é preciso estar com Deus para salvar o pecador.

Pois Deus é um libertador. Ele quer apagar nosso passado e renovar nossa vida, assim como renovou o povo de Israel no fim do exílio babilônico (1ª leitura). O Apóstolo Paulo diz que devemos deixar nosso passado para trás e esticar-nos para apanhar o que está na nossa frente: Cristo, que é a nossa vida (2ª leitura). Como dissemos domingo passado, o pecado é o que fica atrás, enquanto o futuro que está à nossa frente é o amor de Deus em Jesus Cristo.

“Não peques mais”. Perdoar não é ser convivente com o pecado, mas é salvar o pecador – termo que não está na moda hoje, mas é o que melhor exprime a realidade… Deus perdoa, para dar ao pecador uma “plataforma” a partir da qual possa iniciar uma vida nova. Ora, o perdão é do tamanho da grandeza de Deus; só Ele é grande que chega para perdoar definitivamente. Por isso, para fazer jus ao perdão, não devemos desejá-lo levianamente. Devemos querer eficazmente mudar a nossa vida, ainda que saibamos que “Roma não foi construída num só dia”.

Devemos desejar não mais pecar, e para que este desejo seja eficaz, escolher e utilizar os meios adequados. Quem peca por má índole, procure amigos que o tornem melhor. Quem peca por fraqueza ou vício, evite as ocasiões de tentação. E quem peca por depender de uma estrutura ou laço que conduz à injustiça, procure transformar essa situação, no nível pessoal e no da coletividade. Tratando-se de estruturas sociais injustas, o meio adequado de combater o pecado consiste em unir as forças para lutar pela transformação política e social. Devemos transformar as estruturas de pecado fora e dentro de nós. Mas faremos tudo isso com mais empenho se estivermos convencidos de que Deus nos perdoa e joga longe de si o nosso pecado. Quando se trata de problemas pessoais (embora sempre com alguma dimensão social), a certeza de que Deus é maior que o pecado é um estímulo forte para acreditar numa renovação da vida – com a ajuda dos meios psicológicos adequados, pois a graça não suprime a natureza.

Para refletir: Julgo os meus irmãos? Tenho misericórdia no meu coração? Meditei suficientemente nesta frase de Cristo: “Porque à medida com que medirdes também vós sereis medidos” (Mt 7,2)?

Para rezar: Senhor tende piedade de mim que sou um pecador. Neste ano da misericórdia, dai-me um coração misericordioso como o vosso.