Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do 4º Domingo da Quaresma – Ano C


Liturgia da Palavra: 

Josué 5,9a.10-12 
Salmos 34(33),2-3.4-5.6-7 
2ª Carta aos Coríntios 5,17-21 
S. Lucas 15,1-3.11-32




Hoje é Laetare, dia das rosas em Roma e dia de alegria no meio da penitência. Como combinar alegria e penitência? A penitência tem por fim a alegria, porque é inspirada pelo desejo de Deus. A penitência, no A.T., chama-se “volta”. O que isso significa, descreve-nos o mestre-narrador Lucas, na parábola do Filho Pródigo (evangelho).
O filho pródigo foi longe, geograficamente e moralmente. Mas sentindo falta do amor autêntico de seu pai e indigno a seus próprios olhos de ser chamado filho de tão bondoso pai, voltou para sua casa. Essa volta foi uma alegria, em primeiro lugar, para o pai! Este é o mistério do domingo Laetare. Enquanto nós estamos ainda impressionados com nossas desistências, egoísmos e rejeições passadas, Deus já enxerga a vida nova que brota em nós, e alegra-se. O que estava morto voltou a viver; o que estava perdido foi encontrado (Lc 15,32; cf. 19,10).


A 2ª leitura nos ajuda a penetrar no sentido destas palavras finais do pai do filho pródigo: a reconciliação (em Cristo) é uma nova criação. O velho passou tudo é novo. A vergonha de nosso pecado é apagada. Deus mesmo tornou “(sacrifício pelo) pecado” seu Filho (que não conheceu o pecado), para que nós fôssemos sem pecado. Nestas palavras, percebemos um eco da 1ª leitura: assim como Israel, no fim do êxodo da escravidão, celebrou, já na Terra Prometida, a sua “passagem” com o pão novo, sem o velho fermento, agora tudo é novo (cf. 1Cor 5,7-8).

Para muita gente, o que Jesus conta no evangelho parece fácil demais. O filho pródigo, “esse sem-vergonha”, esbanja tudo, depois volta para casa, Deus perdoa e tudo está bem de novo. É fácil demais e, além disso, injusto para quem acha que fez tudo direitinho e não ganhou nada por isso. Ora, quem fala assim não entende nada de Deus. Deus não é um fiscal. É um criador. Ele criou sem estar devendo nada a ninguém. Ele também não fica devendo ao pecado que nós fazemos, quando decide recriar-nos. Basta que o deixemos fazer. Esse “deixar Deus fazer” é, exatamente, a conversão. E é exatamente o que o filho mais velho não faz. Não dá a Deus a alegria de fazer uma nova criação!

A conversão de um pecador é difícil. Exige que ele queira sair “da sua”. Mais difícil, porém, é a conversão de quem se considera justo. Será então melhor ser pecador? Eu até diria que sim, num certo sentido: é menos perigoso ser autêntico na desobediência e no egoísmo do que, por medo ou por implícito cálculo de compensação, esconder o que se tem por dentro e ficar endurecido pelo fato de agir sem convicção, sem ânimo…

Ora, como muitos fiéis que vêm às nossas igrejas estão na posição do filho mais velho, a tarefa da catequese litúrgica para este domingo é bastante difícil: como tirar o calo da autossuficiência dos corações dos bons cristãos? Porém, se isto não acontecer, não poderão participar da alegria do Laetare… “Ilumina, Senhor, nossos corações com o esplendor de tua graça” (oração final).