Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do 3º Domingo do Tempo Comum – Ano C


Leitura:
Neemias 8,2-4a.5-6.8-10
Salmos 19(18),8.9.10.15
1ªCoríntios 12,12-30
Lucas 1,1-4.4,14-21




O evangelho deste domingo inicia com o prólogo de Lucas, o qual nos revela o sentido dos evangelhos.

Eles não são, sem dúvida, uma biografia de Jesus, como tantas vezes se pensou, nem também uma síntese do que Ele fez e disse, porque senão ficariam só no passado.


Os evangelhos são uma "boa notícia" para nós, homens e mulheres do século XXI!

São os relatos da experiência de fé das primeiras comunidades cristãs a partir da Ressurreição de Jesus. Constituem uma mensagem baseada no passado, interpretada à luz do presente (a vida das primeiras comunidades) e com vistas ao futuro (a Igreja posterior).

Sabemos que Lucas não foi discípulo direto de Jesus. O texto de hoje responde às tradições existentes, transmitidas por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares.

Depois como os autores gregos daquele tempo, para demonstrar a credibilidade e a solidez do que vai apresentar, fez "um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio".
Lucas dedica seu evangelho ao "excelentíssimo Teófilo" (amigo de Deus), e nele cada um de nós pode se sentir incluído e interpelado.

Neste Ano Santo Extraordinário da Misericórdia podemos perguntar: Que são para mim os evangelhos? Deixo que sua mensagem me transforme, opere em mim?

A segunda parte do texto de hoje nos conduz à Galileia, terra dos excluídos, mais precisamente na cidade de Nazaré, onde Jesus tinha crescido. E como qualquer homem judeu de sua época, no sábado vai à sinagoga.

Nos primeiros quatro capítulos do evangelho percebem-se a intensa presença e ação do Espírito, culminando em Jesus, que se sente investido e ungido por ele (4,18).

Como escreve Frei Gilvander Moreira:"Viver segundo o Espírito implica caminhar em um processo de humanização e fortalecimento. A ação do Espírito não é mágica como se ao invocá-lo ele descesse do céu sobre nós. Mas o Espírito de vida está presente em nós e no universo. Ele irrompe na comunidade a partir das entranhas dos fatos históricos."(Viver embalado pelo Espírito Santo, um dos traços da Teologia Lucana).

Uma característica da ação do Espírito nestes capítulos é que ele age, unge, tome posse das pessoas: Maria, Isabel, Zacarias, Simeão, profetisa Ana. Por outro lado, João Batista anuncia que Jesus vai batizar com o Espírito Santo.

No Jordão, Jesus é investido da plenitude do Espírito, que o conduz ao deserto e depois a Galileia.

A sinagoga de Nazaré é o lugar onde Jesus se proclamará com o Ungido de Deus, pela ação do Espírito Santo que está sobre ele.

Há, portanto, um verdadeiro pentecostes no início do evangelho de Lucas. Lembremos que o início do livro dos Atos, escrito também por Lucas, descreve o Pentecostes da primeira comunidade cristã.

O mesmo Espírito que age em Jesus age também na comunidade de seus seguidores e seguidoras, fazendo possível que a mesma vida e obras que Jesus viveu e realizou, sua comunidade vivesse e realizasse, e maiores ainda!

Para seus discípulos, Jesus pede as mesmas condições que vemos no Evangelho.

Como disse o Frei Gilvander Moreira "Lucas apresenta as seguintes condições para seguir Jesus: viver em pobreza radical, não temer repressões, não fazer discriminação racial ou cultural, acolher preferencialmente os pobres."

As palavras do profeta Isaías que Jesus lê descrevem seu projeto de vida: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos, a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano de graça do Senhor".

O programa de Jesus beneficia diretamente aos pobres, desde o início de sua missão, ele se posiciona do lado deles, apresentando-se como seu libertador.

Dessa maneira, Jesus nos revela o Amor preferencial de Deus pelos mais pobres e marginalizados, a quem não esquece; ao contrário, vem em seu Filho oferecer-lhes uma nova vida livre, digna, plena.

Lucas apresenta as seguintes condições para seguir Jesus: viver em pobreza radical, não temer repressões, não fazer discriminação racial ou cultural, acolher preferencialmente os pobres.
As últimas palavras de Jesus depois da leitura do profeta: "Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura, que vocês acabam de ouvir", confirmam seu ser e missão e ecoam até hoje a atualidade dessas palavras.

A Igreja, ungida e movida pelo mesmo Espírito de Jesus, continua sua missão libertadora, continua tendo sentido ao longo dos séculos na medida em que assume como próprio o programa de vida de Jesus de Nazaré.

Até o próximo...