Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do 2º Domingo do Tempo Comum – Ano C

Liturgia da Palavra


Isaías 62,1-5
Salmos 96(95),1-2a.2b-3.7-8a.9-10ac
1ª Carta aos Coríntios 12,4-11
João 2,1-11



O vinho novo trazido por Cristo ao nosso mundo e a cada lar, por mediação de Maria. Síntese da mensagem: A uns meses da conclusão do Sínodo sobre a família, Deus nos surpreende neste domingo com o evangelho das Bodas de Caná. Sabemos que é um dos “sinais” de São João que nos revelam um profundo significado. Este evangelho traz muita cristologia, mariologia e messianismo. Difícil e codificado. Tentemos descodificar. Tanto Isaías na primeira leitura como São João no evangelho insistem nesse sinal: Deus nos ama com um amor comparável ao do esposo para com a esposa. Cristo aparece como o Noivo ou o Esposo, o Vinho novo que Deus preparou para os últimos tempos. Chegou a hora do Esposo que cumpre as promessas do Antigo Testamento.


Em primeiro lugar, Jesus ocupa o centro do relato das bodas. O “vinho” que Jesus traz é excepcional, abundante (mais de quinhentos litros) e superior à água incolor, inodora e insípida das talhas de “pedra” do judaísmo; alusão à lei, escrita em tábuas de pedra. Cristo não traz um sistema doutrinal, mas a manifestação do seu mistério. Por isso escolhe umas bodas. A aliança messiânica foi anunciada pelos profetas sob o simbolismo de umas bodas (cf. Os 2, 16-25; Jr 2, 1s; 3, 1-6; Ez 54, 4-8). O vinho era uma característica predominante dos tempos e bens messiânicos. Se a água dos judeus purificava os corpos; o vinho de Cristo purificará as almas, porque o converterá depois no seu Sangue bendito. O quarto evangelho dá inicio à atividade de Jesus com a alegria das bodas messiânicas. O esposo é Jesus e a esposa, a pequena comunidade que se une ao seu redor pela fé. A glória que os discípulos contemplam em Jesus é a sua manifestação como o novo esposo messiânica. E a presença de Maria ai representa o Antigo Testamento e a humanidade inteira. Constata a falta de algo que era essencial nos tempos messiânicos: a abundância e a qualidade do vinho. Assim afirma depois o organizador da festa. E Ela, com amor misericordioso e materno, intercede por nós diante do seu Filho. E consegue o milagre, adiantando a Hora do seu Filho e também a sua própria hora como mãe da humanidade inteira. Ao chamá-la de “Mulher”, Jesus está afirmando que os laços da família de Deus são mais fortes que os do sangue. Jesus atua porque pede a sua mãe, quanto mais quando tiver chegado a sua Hora!

Em segundo lugar, as bodas de Caná são a primeira boda cristã que nos consta, lendo os evangelhos, onde Jesus em pessoa entrou e compartilhou o vinho da sua benção, elevando essa união matrimonial ao sacramento, fonte de graça divina e reflexo do amor que Ele tem pela sua Igreja. Sem Cristo no matrimonio, e na vida, faltar-nos-á o vinho do amor, da alegria e do sentido pleno da existência; e o nosso vinho humano se avinagrará com facilidade. Com Cristo, teremos sempre o vinho de primeira qualidade que nunca azedará. Vinho que alegrará um lar e a convivência matrimonial. Vinho que compartilharemos com os filhos, parentes e amigos, com manifestações de interesse, de ternura, generosidade, conselho. Vinho que com o passar dos anos- se continuar Jesus no centro da família- terá um buquê especial que regozijará os olhos, o olfato e o paladar, e nos ajudará a vencer as dificuldades normais da convivência. Basta nos sentar e saborear uma taça desse vinho novo trazido por Cristo para que as penas diminuam, o sorriso floresça nos lábios e os abraços se estreitem uma vez mais. Por isso, o sinal milagroso de Caná exprime o “sim” de Cristo ao amor, à festa, à alegria de todos os matrimônios e famílias.

Finalmente, e quando faltar o vinho, o que fazer? Qual é o vinho que falta no nosso mundo? O vinho da paz, o da ternura em tantas famílias; o vinho da fé, da esperança e do amor em tantos corações; o vinho da verdade em tantas mentes...? Quando faltam estes vinhos, a vida se “avinagra”. Surgem as brigas, as separações, os divórcios, os interesses partidários, as trapaças econômicas, as frivolidades vacuás, a mentira como ferramenta de comunicação, o relativismo moral, a violência e o terror. O que fazer? Invocar a Maria; Ela é a onipotência suplicante, como são Bernardo nos disse. Maria viu a carência na boda, fê-la sua solidariamente, e colocou mãos a obra. Não ficou em relatar o que acontece e se lamentar pelo que falta ou vai mal. Dar-se conta do “vinho” que falta, arregaçar as mangas no que depende de nós, tendo na Palavra de Jesus a nossa força e a nossa luz. Isto foi Caná. Esta foi Maria. O Evangelho termina dizendo que “os discípulos creram Nele” (Jo 2,11). O final è que tendo vinho, teve festa, e os discípulos vendo o sinal, o milagre, creram em Jesus. Necessitamos milagres de “vinho”; o mundo necessita ver que os vinagres do absurdo se transformam em vinho bom e generoso, o do amor e da esperança, o que germina em fé. Sempre tem um brinde por ser feito. Que seja com o vinho como o de Maria em Caná.

Para refletir: como está a talha do meu coração: vazia, meio cheia ou cheia até a borda? Tem vinho de alegria e entusiasmo ou água incolor, inodora e insípida? Quais coisas avinagram o meu vinho que Cristo me deu do meu casamento, no dia da minha ordenação sacerdotal, no dia da minha consagração religiosa? Costumo invocar Maria Santíssima para que interceda por mim diante do seu Filho Jesus?

Até o próximo: A Leitura Cristã da Bíblia – Catequese Bíblico Missionária