Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema do Natal do Senhor – Missa da Vigília



Liturgia da Palavra:

Is 62, 1-5 
Sl 88, 4-5. 16-17. 27. 29
At 13, 16-17.22-25 
Mt 1, 1-25





Nesta Noite de Natal Deus, movido pela sua misericórdia, celebra conosco o Nascimento do seu Filho que Ele enviou a terra para nos salvar. Entramos na genealogia divina e salvadora.

Continuamos no ano jubilar da misericórdia. A Noite do Natal é um transbordar da misericórdia de Deus para com todos nós, pecadores, necessitados de redenção. A lista genealógica de Mateus (evangelho) tem uma intenção clara: demonstrar que Jesus pertencia à casa de Davi, por parte de José (2ª leitura). Mas também tem uma intenção mais profunda: O Messias esperado se encarnou plenamente na história humana e está arraigado num povo concreto, composto de santos e de pecadores, os quais Ele veio para salvar. E tudo, movido pela sua infinita misericórdia.


Em primeiro lugar, Cristo pertence à nossa família humana a qual veio salvar. Ai está o evangelho dessa noite que narra à genealogia de Jesus. O cardeal vietnamita Van Thuan dizia: – “que lembrar os antepassados tem um grande valor na sua cultura; por isso, conservam com piedade e devoção o livro da geração familiar em cima do altar que existe em cada lar. Graças a essa genealogia podemos saber que pertencemos a uma história que é maior do que nós. E assim podemos entender melhor o sentido da nossa própria história com maior certeza da verdade”. Nessa genealogia lida nesta noite não todos são santos e exemplares. Misterioso desígnio divino da misericórdia divina. Junto de Davi, enumeram-se outros reis. Separando Ezequias e Josias, os outros são idólatras, assassinos e dissolutos. Depois do desterro, apenas não tem ninguém que se salve pelos seus valores humanos e religiosos. Até chegar aos dois últimos nomes, José e Maria. Aparecem na lista cinco mulheres: as quatro primeiras não são como para estar orgulhosas delas. Rute é boa e religiosa, mas é estrangeira, o que para os israelitas é um inconveniente grave. Raab é uma prostituta, embora com um bom coração. Tamar, uma trapaceira que engana o seu sogro Judá para ter descendência. Betsabé, uma adúltera com Davi. A quinta sim: é Maria, a esposa de José, a mãe de Jesus. Jesus, na sua misericórdia, fez-se solidário desta humanidade concreta, débil e pecadora, nada de angélica ou ideal. Isto não é misericórdia?

Em segundo lugar, nessa genealogia e história da salvação e misericórdia entrou Maria. Mulher escolhida por Deus desde toda a eternidade para ser a Mãe do seu Filho eterno. Mulher a qual Deus colocou José, como esposo e pai putativo (jurídico) de Jesus, como a Tradição nos diz a quem daria o nome e o seu estatuto jurídico e a sua segurança. Mulher que respondeu desde a sua humildade este plano de salvação dando o seu “sim”, por obediência a Deus e por amor misericordioso à humanidade. Mulher que manteve o ser “sim sustentado” durante toda a sua vida no meio das dificuldades que teve que experimentar. Mulher que ratificou o seu “sim”, aos pés do seu Filho na cruz, unindo-se misticamente ao sacrifício redentor de Cristo para nos salvar e nos reconciliar com o Pai celestial. O nome de Maria nesta genealogia de Cristo limpa toda a lista de homens e mulheres que não estiveram à altura do plano de Deus.

Finalmente, nessa história e genealogia entramos cada um de nós pela misericórdia de Deus. Por una parte, somos pecadores. Por outra parte, fomos redimidos por Cristo. Se neste momento experimentamos o pecado na nossa vida, aproveitemos o Natal para nos aproximar de Deus no sacramento da confissão. Se, pelo contrário, estamos vivendo na amizade com Deus, olhemos os outros com olhos novos, sem desprezar ninguém. Todos formamos parte da genealogia salvadora e divina. É o momento de enchermo-nos de misericórdia. A sociedade pode parecer corrompida, e algumas pessoas indesejáveis, e as mais próximas, cheias de defeitos. Mas Jesus vem justamente para curar os doentes, não para dar os parabéns aos sãos; para salvar os pecadores, e não para canonizar os bons. A salvação é para todos. Jesus não renegou da sua árvore genealógica porque nela tivessem pessoas pecadoras. Nós não devemos renegar da geração na qual nos compete viver. Neste Natal deveríamos crescer nesta visão misericordiosa das pessoas, as quais Cristo ofereceu também a sua salvação. Misericórdia na que tanto insiste hoje o Papa Francisco.

Feliz Natal a todos vocês queridos amigos e ouvintes!...