Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema da memória de Nossa Senhora das Dores

Leituras:

Hb 5, 7-9
Sl 30 (31), 2-3abc. 4-6. 15-16. 20.
Sequencia:
Ó Santa Mãe...
Jo 19, 25-27 ou Lc 2, 33-35




Estamos vivenciando durante esta semana no dia 14 e 15 grandes festas a nossa devoção. Com a Festa da Exaltação da Santa Cruz, celebrado neste dia 14, hoje trazemos em memoria a devoção mariana a Senhora das Dores.
Esta devoção a Nossa Senhora das Dores remonta aos inícios do segundo milênio, quando se desenvolveu a compaixão para com Maria junto à cruz de Jesus, onde a Virgem vive e sente os sofrimentos do seu Filho. O primeiro formulário litúrgico desta festa surgiu em Colônia, na Alemanha, no ano de 1423. O Papa Sisto IV inseriu no Missal Romano a memória da Senhora da Piedade. A atenção à “Mãe dolorosa” desenvolve-se gradualmente sob a forma das Sete Dores, representadas nas sete espadas que Lhe transpassam o peito. Os Servos de Maria, que celebravam a memória desde 1668, favoreceram a sua extensão à Igreja Latina, em 1727. O Papa Pio X colocou a memória no dia 15 de Setembro.


Lectio

Hebreus 5, 7-9

Numa memória da Virgem Maria, a liturgia da Palavra oferece-nos este texto claramente cristológico retirado de um contexto em que é sublinhada a filiação divina e a identidade sacerdotal de Cristo. Mas o Filho de Deus, que foi liberto da morte e do sofrimento, através dos quais foi tornado perfeito, é também filho de Maria. Os sofrimentos e a morte fazem parte da condição humana. Maria não foi isenta deles, apesar de mãe de Deus. Como Cristo, Maria «aprendeu a obediência». Cristo obedeceu em tudo. O seu alimento era fazer a vontade do Pai. Foi à atitude fundamental da sua vida (“Eis-me aqui!”), marcada por tantas alegrias, mas também por tantos sofrimentos. Foi também a atitude fundamental de Maria (“Eis a serva do Senhor”). A vontade de Deus levou-a até ao Calvário, solidária com Jesus: “Estava à mãe dolorosa junto da Cruz lacrimosa donde pendia o Filho”.

Evangelho: Lucas 2, 33-35

Este breve texto do Evangelho de São Lucas (alternativo) está no centro do relato da «apresentação de Jesus ao templo», onde é levado pelos pais, conforme prescrevia a Lei para os primogênitos. A «espada», que trespassa a alma e atinge o coração, preanuncia os sofrimentos e as dores que Maria havia de passar. Mas, à luz de Hebreus 4, 12, a palavra espada também representa a Palavra de Deus, que, tanto Cristo como a sua Mãe, escutaram, e à qual prestaram total obediência, mesmo quando foi preciso enfrentar o sofrimento e a morte.

Meditatio

Vivemos num mundo onde a compaixão faz imensa falta. A memória que hoje celebramos ensina-nos a compaixão verdadeira e consistente. Maria sofre por Jesus, mas também sofre com Ele. Por sua vez, a paixão de Cristo é participação no sofrimento humano, é compaixão solidária conosco.

A carta aos hebreus faz-nos entrever os sentimentos de Jesus na sua paixão: “Nos dias da sua vida terrena, apresentou orações e súplicas àquele que o podia salvar da morte” (v. 7). A paixão de Jesus foi impressa no coração da Mãe. O clamor e as lágrimas do Filho fizeram-na sofrer de forma atroz. Como Jesus, e talvez até mais do que Ele, desejava que a morte se afastasse, e o Filho fosse salvo. Mas, ao mesmo tempo, Maria uniu-se à piedade de Jesus, submeteu-se, como Ele, à vontade do Pai.

Por tudo isto, a compaixão de Maria é verdadeira: carregou realmente sobre si o sofrimento do Filho e aceitou, com Ele, a vontade do Pai, numa atitude de obediência que vence o sofrimento.
A nossa compaixão, muitas vezes, é superficial. Não temos a fé de Maria. Nem sempre vemos no sofrimento dos outros a vontade de Deus, o que está certo. Mas também não sofremos com os que sofrem.

As leituras de hoje fazem-nos pensar no sofrimento, que continua a ser uma realidade na história individual e coletiva da humanidade, mas que, de certo modo, também existe no mundo divino. Foi, de fato, assumido por Deus na Encarnação do Filho, e partilhado pela sua Mãe, uma mulher ao mesmo tempo comum e especial. A sua experiência de sofrimento humano, pode subtrair esse mesmo sofrimento à maldição e torná-lo mediação de vida salva e serviço de amor.

Oratio

Ó Maria, Mãe de Deus, Rainha e Mãe dos homens, eu vos ofereço as homenagens da minha veneração e do meu amor filial. Quero viver como vosso filho dedicado, consolando-vos e obedecendo-vos em tudo. Pela vossa poderosa intercessão, fazei que todos os meus pensamentos e ações sejam conformes à vossa vontade e à do vosso divino Filho.

Contemplatio

Enquanto permanecestes com o vosso divino Filho, ó Rainha dos Anjos, o vosso Coração sagrado esteve à espera das dores que vos tinham sido anunciadas pelo velho Simeão: dores sem igual, porque a grandeza do vosso amor era a sua medida. A hora da Paixão chega: Jesus despede-se de vós para ir sofrer, e faz-vos compreender que, para cumprir a vontade de seu Pai, deveis acompanhá-lo ao pé da cruz, e que o vosso coração tão terno lá será trespassado pela espada da dor. São João vem advertir-vos que o Cordeiro divino vai ser conduzido à imolação. Saís imediatamente da vossa morada, banhando com as vossas lágrimas as ruas de Jerusalém; encontrais o vosso Filho no meio de uma tropa furiosa de carrascos e de tigres, que rugem e blasfemam, pedindo a grandes gritos que o crucifiquem… Ele caminha carregado com o madeiro da cruz; vós o seguis, toda banhada com as vossas lágrimas e com o coração mergulhado numa dor imensa.

Ele chega finalmente ao Gólgota. Com golpes de martelo enterram nos seus pés e em suas mãos cravos que perfuram o vosso coração materno. Logo o elevam da terra no meio de blasfêmias. Ó meu Deus! Todo o vosso sangue gela nas vossas veias. Durante três horas, permaneceis ao pé da cruz de Jesus, cravada pelo amor e pela dor a esta árvore sagrada, até finalmente Ele expira no meio dos mais horríveis tormentos… Depositam-no sem vida nos vossos braços. A terra nunca viu semelhante dor. 

Até o próximo: A Leitura Cristã da Bíblia – Catequese Bíblico Missionária.


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