Podcast Play Pequeno Monge Agostiniano – Tema da Festa da Exaltação da Santa Cruz

Leituras:

Nm 21, 4b-9
Sl 77, 1-2. 34-38
Fl 2, 6-11
Jo 3, 13-17



A liturgia deste dia, da Festa da Exaltação da Santa Cruz, convida-nos a contemplar a cruz de Jesus. Ela é a expressão suprema do amor de um Deus que veio ao nosso encontro, que aceitou partilhar a nossa humanidade, que quis fazer-se servo dos homens, que se deixou matar para que o egoísmo e o pecado fossem vencidos. Oferecendo a sua vida na cruz, em dom de amor, Jesus indicou-nos o caminho para chegar à vida plena.

A primeira leitura fala-nos de um Deus que nunca abandona o seu Povo em caminhada e que está sempre lá, ajudando-o a perceber o sem sentido das suas opções erradas e convidando-o continuamente a nunca parar nessa busca da vida e da verdadeira liberdade. A serpente de bronze levantada sobre um poste, através da qual Deus dá vida ao seu Povo e o protege das forças destruidoras que ele enfrenta ao longo da sua peregrinação pelo deserto, traduz a vontade de Deus em dar vida ao homem; e é, por outro lado, um símbolo dessa força salvífica que se derrama da cruz de Cristo – o homem levantado ao alto para dar vida a todo o mundo.

Na segunda leitura, o apóstolo Paulo apresenta aos cristãos de Filipos uma leitura da encarnação de Cristo. Jesus, o Filho amado de Deus, prescindiu do orgulho e da arrogância, para escolher o caminho da obediência ao Pai e do serviço aos homens, até ao dom da vida. A cruz é a expressão máxima desse caminho e dessa opção. É esse mesmo caminho de vida que os cristãos de todas as épocas e lugares são convidados a acolher e a percorrer.

No Evangelho, João recorda-nos que Deus nos amou de tal forma, que enviou o seu Filho único ao nosso encontro para nos oferecer a vida eterna. Convida-nos a olhar para a cruz de Jesus, a aprender com ele a lição do amor total, a percorrer com ele o caminho da entrega e do dom da vida. É esse o caminho da salvação, da vida plena e definitiva.

Imagine duas retas, uma horizontal e outra vertical, que se tocam e formam entre si um ângulo de 90°. Parece o início de uma aula de Geometria, mas nada mais é do que a descrição de um dos símbolos mais simples e mais eloquentes da história da humanidade: a Cruz. Só mesmo os desígnios divinos dariam conta de transformar um instrumento de morte e tortura em sinal de: Salvação. Apontando para o alto para os lados, a cruz é sinal do amor incondicional de Jesus pelo Pai (dimensão vertical) e pela humanidade (dimensão horizontal) e valiosa orientação para a vida Cristã: olhos fixos em Deus e pés fincados na realidade e nos problemas concretos do mundo e das pessoas. Quem se propõe a ser discípulo de Cristo e abandona a intimidade com Deus ou o serviço à humanidade se descaracteriza, assim como a cruz sem uma de suas hastes deixa de ser cruz, passando a ser apenas um pedaço de madeira.

Exaltar a Santa Cruz é reconhecer em Cristo nobre fruto da “Árvore da Vida”, que venceu as contradições, inconsistências e incoerências da humanidade expressas na queda de Adão e Eva quando se deixaram seduzir pelo sonho delirante de se tornarem deuses. Na contradição deste estéril delírio de grandeza, Deus escolhe se tornar humano para mostrar que no chão da realidade, no feijão com arroz, às vezes saboroso, outras, insosso até amargo, do dia a dia é que o ser humano pode e deve se divinizar, não pela via de uma auto exaltação, mas pelo caminho árduo e exigente de uma entrega por amor, à semelhança de Cristo na Cruz. Da auto exaltação a Exaltação da Santa Cruz.

Celebrar a Cruz não deixa, portanto, de ser desconcertante e provocador. Num contexto social que preza pela competição acirrada, pelo acúmulo de bens, pela luta incansável em busca do sucesso, pelo individualismo, como transmitir e cultivar a virtude da humildade? Assim como o fora para os gregos, certamente a mensagem do Cristo Crucificado, preso ao madeiro, imóvel, limitado, suspenso entre o céu e a terra, soaria como loucura diante da promessa de “um ser humano sem limites e fronteiras apresentada por certa operadora de telefone celular… “Você, sem fronteiras”. Ou seria escandaloso, como para os judeus, a imagem de um ser humano humilhado e maltratado injustamente para um jovem que investe o melhor de seus esforços e energias com objetivo de se tornar o número um da empresa onde trabalha, num cargo que seria o sacramento inquestionável de seu sucesso.

Que a Festa da Exaltação da Santa Cruz nos ajude, ao modo de Francisco, a sermos cada vez apaixonados pelo Mistério da Cruz.

Até o próximo: A Leitura Cristã da Bíblia – Catequese Bíblico Missionária.

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